A escola pode ser um espaço de inovação, de experimentação saudável de novos caminhos. Não precisamos romper com tudo, mas implementar mudanças e supervisioná-las com equilíbrio e maturidade. (José Manuel Moran)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

INTEGRAÇÃO DAS MÍDIAS NO CONTEXTO ESCOLAR

A proposta de integrar as mídias na escola parte do contexto atual que estamos inseridos, uma sociedade que usa a tecnologia para se comunicar com as pessoas e com o mundo. Neste panorama a escola não poderia deixar de cumprir sua função de formação de sujeitos capazes de utilizar tais ferramentas para construção do conhecimento. Assim, o uso das mídias requer da escola o entendimento de três aspectos principais que dão ao educador a compreensão eficaz daqueles meios e ao mesmo tempo o torna mediador e multiplicador dos saberes destes instrumentos tecnológicos.


Estes três principais aspectos dizem respeito às necessidades de uma realidade local, e que para outras dimensões podem estar superadas, neste sentido o olhar sobre as urgências parte uma realidade ao qual se está inserido. Os principais aspectos necessários para desenvolver um trabalho pedagógico integrando as mídias no contexto da escola são:

• Equipar as escolas com as mídias;

• Garantia do domínio do técnico e pedagógico para construção dos saberes;

• Efetividade na construção dos conhecimentos utilizando recursos midiáticos.



A sociedade na qual estamos inseridos utiliza comumente as mídias e as novas tecnologias para obter informações e se comunicar com as pessoas, ou seja, quando o aluno chega à escola já traz uma série de conhecimentos midiáticos; todavia a receptividade da escola quanto a estes conhecimentos nem sempre é valorizado. Desconsiderando tais conhecimentos a escola deixa de cumprir com seu papel de articular saberes. Assim, adquirir mídias e outros recursos tecnológicos partem de uma necessidade real, não é justificável que nesta era moderna a escola não dê ao seus alunos as possibilidades de uso das mídias.


Sob este panorama há uma outra realidade, equipar as escolas com as mídias não garante o seu uso eficaz. Deste modo, não faz sentido utilizar os recursos midiáticos se o potencial destas tecnologias é desconsiderado, uma situação desta apenas reforçará atitudes e práticas pedagógicas conservadoras, que em nada contribui para a aquisição de conhecimento significativo. Surge, portanto o segundo aspecto: a garantia do domínio do técnico e pedagógico para construção dos saberes.


Esta garantia será possível articulando a formação do professor e dos funcionários inseridos no contexto escolar; A formação dos profissionais de educação perpassa pela idéia de que é preciso estar preparado para utilizar as diversas linguagens midiáticas; neste sentido, o educador se torna também um aprendiz, aberto a pesquisa e ao melhoramento de sua prática pedagógica. O educador que buscar sua própria formação e se insere num contexto de discussão sobre as possibilidades de uso das mídias caminhará para garantia da construção do saber.
 

Para Moran é preciso utilizar as tecnologias para nos comunicar e interagir com o mundo mais, para interagir melhor. Logo, ele completa, o poder da interação está nas possibilidades que criamos em nossas mentes, se nos posicionarmos enquanto seres abertos descobriremos que o poder está em nossas mentes, e não nas tecnologias.


Se a escola já dispõe das mídias e os educadores já estão formados, o próximo passo é efetivar estes conhecimentos em sala de aula, este está diretamente ligado ao terceiro aspecto mais urgente. Como já apontado o uso de mídias dentro do espaço escolar não garante por si só que na prática elas estejam sendo utilizadas para integração, isso só ocorre quando a prioridade se volta para o educando e não mais para o professor, o aluno começa a construir propostas que reais e contextualizadas.

 
Diversas são as possibilidades de integrar as tecnologias na escola, aqui se apresenta com uma das propostas para este tipo de trabalho que garanta a integração das mídias que é a pedagogia de projetos. Esta prática quando apreendida em sua metodologia de maneira colaborativa reflete a construção do conhecimento, que através de uma determinada situação problemática e dos desafios lançados proporciona ao aluno a descoberta de que ele é capaz de construir seus próprios conhecimentos.
 

De acordo com Prado (2005) “a pedagogia de projetos, embora constitua um novo desafio para o professor, pode viabilizar ao aluno um modo de aprender baseado na integração entre conteúdos das várias áreas do conhecimento, bem como entre diversas mídias (computador, televisão, livros) disponíveis no contexto da escola”. Com base nesta consideração podemos afirmar que criar uma relação entre as diferentes conjunturas em que se trabalham projetos na escola é possibilitar que sejam reconstruídas novas formas de ensinar e aprender a partir da incorporação de distintas mídias e conteúdos curriculares.



É neste contexto que educador e educando se tornam construtores do saber, como bem afirma Paulo Freire (2004) “o educador já não é mais aquele que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa. Ambos se tornam sujeitos do processo em que crescem juntos e em que os “argumentos de autoridade” já não valem.”. Logo, aprender e ensinar utilizando as mídias promoverá grandes mudanças se os paradigmas convencionais do ensino que mantêm distantes professores e alunos forem superados.



Deste modo, espera-se que a integração das mídias no contexto escolar possibilite o uso das linguagens múltiplas garantindo a comunicação no processo de construção do conhecimento, tarefa que requer um olhar mais extensivo sobre as novas formas de ensinar e aprender, bem como de se relacionar com o conhecimento e com o mundo.


 
BIBLIOGRAFIA



Escola: Espaço Integrador das Mídias – Mídias da Educação. Unidade 6 - Curso de Especialização de Tecnologias em Educação. PUC-RIO – Disponível em:<http://www.eproinfo.mec.gov.br/>. Acesso em 27 Out. 2009.



FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 39 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004.


Moran, José Manuel. O Uso das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação na EAD - uma leitura crítica dos meios. Disponível em < http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/T6%20TextoMoran.pdf>. Acesso em 27 out. 2009.


 
PRADO, Maria Elisabette Brisola Brito. Pedagogia de projetos: fundamentos e implicações. In: Org ALMEIDA, M. E. B. e MORAN J. M. Integração das Tecnologias na Educação. Brasília: Ministério da Educação, Seed, 2005.



COMO FOMENTAR O USO DO VÍDEO E DA TV


A evolução e o desenvolvimento da tecnologia nos colocaram diante de uma nova sociedade, que em constante contato com as telecomunicações e com o audiovisual se comunica e interage com o mundo a todo o instante. Adaptar a escola a estas mudanças da sociedade tem sido um grande desafio. Pois o espaço escolar deve ser um espaço para a comunicação, de modo que o ato educativo proporcione interação entre educação e comunicação.



Para fomentar o uso do vídeo e da Tv na escola é preciso que haja recursos disponíveis e que o corpo escolar esteja preparado para usá-lo, especialmente o professor. Não basta tão somente ter o recurso na escola e não usá-lo, ou pior usá-lo de forma inadequada. Através do uso do vídeo na sala de aula é possível perceber os diálogos, as intenções das falas, o modo como a comunicação oral se aproxima das significações e das vontades, as músicas e os sons servem para evocar sentimentos e aproximar o homem, já os textos e as legendas representam a narrativa oral. Assim, se pode dizer que o vídeo é uma mídia sensorial, visual, com linguagem falada, musical e escrita.



Através de sua programação a tv aproxima o homem de sua realidade, das situações vividas no cotidiano e que chega em suas casas fazendo rir, chorar, entreter ou informar. As imagens e informações transmitidas buscam seduzir o espectador, por isso as mensagens veiculadas exigem pouco esforço e envolvimento de quem assiste; e como não existe educação neutra, já dizia Paulo Freire, todas as mensagens veiculadas se associam às intenções de quem envia a mensagem.



A oportunidade que a escola tem de propiciar aos seus educandos condições de compreensão desta nova linguagem é importante e necessária. Voltar o olhar para a linguagem televisiva é oportunizar que além da leitura e da escrita a inserção da Tv e do vídeo provoque reflexões e prepare o educando para problematizar ações e construir novos conceitos sobre conhecimentos já produzidos.



Uma boa maneira de apresentar o vídeo na sala de aula é usá-lo como sensibilização para introduzir um assunto, ilustrar um período, simular uma experiência ou trazer uma abordagem interdisciplinar dentro d conteúdo trabalhado. E ainda mais interessante é usá-lo como registro dos trabalhos realizados pela classe, que pode ser produzido pelos próprios alunos ou pelo professor como um portfólio audiovisual dos trabalhos da classe.



Televisão e vídeo conseguem tocar os sentidos dos telespectadores e do concreto ao abstrato eles aproximam o homem dos seus interesses. E como na educação o maior enfoque está na aprendizagem do aluno, é preciso também tocar os sentidos dos nossos educandos, e nós educadores precisamos estar abertos para as inúmeras possibilidades que as tecnologias nos proporcionam, é imprescindível saber como utilizá-las, pois a sociedade clama por uma educação que integre o humano e o tecnológico sem perder o rumo do presencial e do virtual.

MINHAS VIVÊNCIAS UTILIZANDO MÍDIAS E TECNOLOGIAS

Uma das experiências com mídia mais significativa vivida na minha atuação docente foi o trabalho desenvolvido com o Jornal. Neste trabalho os alunos da segunda série (residentes na zona rural) tiveram contato com jornal, puderam folhear, ler e perceber suas primeiras impressões sobre o que é um jornal.


Através de uma seqüência didática, a turma foi ampliando seus conhecimentos e desenvolvendo as habilidades de leitura do jornal e de crítica sobre temas da atualidade.

Inicialmente selecionei algumas notícias veiculadas pelos jornais, logo após propus que resumissem as informações no caderno, registrando em tópicos as questões. Após este momento os alunos fizeram o relato da notícia lida. Durante este período a classe foi motivada a assistir jornais na TV e estabelecer relações entre o que é visto no jornal falado e o que se lê nesta mídia impressa. Nas rodas de conversa a classe falava sobre o que assistia na TV e como percebia as situações apresentadas, além de informações observadas como postura dos apresentadores, veiculação de notícias e outros.

A vivência nas rodas de conversa foram bastante significativas, pois os alunos desenvolveram também a oralidade, inclusive aqueles alunos mais tímidos foram motivados a expressar seus conhecimentos. No início, alguns não tinham o hábito de assistir jornal, após ouvirem os colegas falando sobre o que viram no jornal sentiram necessidade também de assistir para participar destes momentos. E apesar da pouca idade notei que temos muito que aprender com eles.

Depois de estudar os elementos e as tipologias textuais presentes no jornal os alunos foram divididos em grupo e iniciaram a produção textual do jornal da escola. Este foi um momento de muito trabalho, mas de grande surpresa porque as produções representavam o que mais desejamos dos nossos alunos: CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTO. E eles fizeram isso muito bem, tão bem que os alunos do turno vespertino se envolveram no projeto e também participaram da criação.

Esta experiência mediou o conhecimento entre escola e mundo, além disso, serviu para que a turma adquirisse novos conhecimentos a partir da leitura. O jornal é um excelente material pedagógico que desafia o aluno a ler e construir seu próprio conhecimento, pois em contato com textos autênticos eles puderam descobrir, compreender, explicar e conceituar informações veiculadas.

De acordo com José Marques de Mello (1999) “uma notícia de jornal conduz a um filme, um seriado de televisão estimula a leitura de um livro, um programa de rádio incita à audição de um disco, um filme motiva a compra de um fascículo ou uma revista.”. Logo, ensinar através de jornais (e de outras mídias) significa aprender a ler o mundo, refletir e criar uma postura crítica e ativa diante dos acontecimentos.

BAIXA VISÃO OU VISÃO SUBNORMAL

Criança com Baixa Visão

Analisando o próprio percurso – Concepções de aprendizagem

Ao avaliar o percurso traçado até aqui na disciplina Concepções de Aprendizagem, percebi o quanto ainda tenho para aprender. A compreensão de aprendizagem e suas concepções me colocaram diante de uma nova situação: estudar mais sobre as questões pedagógicas que estão presentes no cotidiano do contexto escolar. Compreender o que é aprendizagem, como ela ocorre e quais as teorias que fundamentam a nossa prática educativa é um dever nosso enquanto educadores que pretendem fazer a diferença na nossa escola e na nossa cidade.

No magistério, na faculdade, nas formações, nas pesquisa, a todo momento estamos em contato com as questões de aprendizagem, como aprendemos, como motivamos a capacidade criadora e criativa dos nossos alunos, são estas situações que vemos todos os dias e que precisam estar fundamentadas.

Minha participação no fórum poderia ser mais ativa, procurei contribuir postando as atividades estudadas e deixando um registro na atividade de algum colega. Esta forma foi encontrada para interagir; porém a partir das próximas disciplinas pretendo participar mais dos fóruns e expressar até mesmo as dúvidas que surgem e que de repente não são compartilhadas.

Ao analisar este percurso percebi que necessito melhorar meu desempenho no curso, inclusive adquirindo livros para pesquisa e estudo, pois embora as leituras dos textos apresentados no curso sejam importantes e produtivas, ter um acervo pessoal se torna imprescindível para ampliar os conhecimentos.

Tenho apenas uma sugestão, que as considerações feitas pelos colegas e mediador ficassem disponíveis em uma caixa de mensagem, pois logo que o ambiente fosse acessado saberíamos se há observações feitas no nosso texto.

 
Assim, ao término desta disciplina tenho a convicção de que aprendi muito e tenho um outro tanto para descobrir, e investir em novas leituras e fundamentações sobre como aprendemos e ensinamos é uma das minhas metas neste momento.