A escola pode ser um espaço de inovação, de experimentação saudável de novos caminhos. Não precisamos romper com tudo, mas implementar mudanças e supervisioná-las com equilíbrio e maturidade. (José Manuel Moran)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO

Os estudos de Sigmund Freud estão centrados, inicialmente na terapia de doenças emocionais, mas ao adentrar nas suas pesquisas veremos que em muito ele colaborou para a área educacional. Suas reflexões ajudam a entender melhor como se processa o desenvolvimento emocional e mental das nossas crianças, tendo em vista que o ser humano é constituído de razão e de emoção.


As maiores contribuições dos estudos psicanalíticos de Freud se dão através dos conhecimentos adquiridos a cerca do funcionamento do aparelho psíquico e dos processos mentais, onde acontece a aprendizagem, da análise dos tipos de pensamento, da aprendizagem ocorrida por meio dos processos de identificação, como também dos processos de transferência na relação professor e aluno.

Para Freud, a Psicanálise deve ser aplicada para ajudar o professor na tarefa de educar, que segundo ele é quase impossível de ser realizada em sua plenitude, pois como o homem vive numa contínua luta com suas forças internas, determinadas pelo princípio do prazer (id) e pelas forças externas que impõem juízos de valor (superego), dificilmente encontrará uma igualdade destas forças opostas na construção do eu; portanto cabe ao professor buscar o equilíbrio para que a aprendizagem do aluno ocorra de maneira eficiente.

 
Conhecendo que o ser humano tem vários tipos de pensamento, Freud lembra o valor e poder da escola em ser capaz de oferecer o desenvolvimento de todas as suas dimensões, ampliando a capacidade do aluno em encontrar suas próprias alternativas e desenvolver o gosto pela aprendizagem.

 
Uma outra contribuição se refere à aprendizagem por identificação, pois revela que o ser humano ao encontrar pessoas que foram importantes e se identificam com elas, se comparam a outra imagem e se sentem motivados a se equiparar com os seus modelos de pessoas. A teoria freudiana ressalta que na relação docente e discente, é importante que o professor se harmonize emocionalmente com sua turma, pois o clima de empatia e respeito corrobora para a aprendizagem.

 
A transferência das situações vivenciadas, apontadas por Freud, evidenciam as resistências às experiências reprimidas. Para o pai da Psicanálise esta teoria pode ser aplicada à educação. A relação transferencial ajuda a entender como atua o processo de desenvolvimento emocional e mental do educando. Se olharmos bem a nossa volta veremos que as nossas escolas ainda tratam os alunos como seres que aprendem do mesmo modo, seres iguais e, portanto, que devem receber o mesmo tipo de ensino. Ao usar os mesmos métodos de ensino o professor desconsidera as diferenças, esquecendo de analisar como e por quê determinados fracassos escolares acontecem. Certamente o professor que se dedicar a estudar as razões de alguns destes problemas descobrirá que muitos estão associados a questões emocionais ou meios equivocados de ensinar. É preciso respeitar as diversas formas de construção do pensamento e as etapas evolutivas de cada sujeito.

 
E para nossa reflexão fica este fragmento:

“Pelo menos uma observação feita por Freud aos pais vale para os educadores: "Nós nos preocupamos demais com os sintomas e muito pouco com o lugar do qual provêm. E quando criamos os filhos queremos simplesmente ser deixados em paz, queremos uma 'criançamodelo' sem nos perguntarmos se isso é bom ou ruim para ela”. (Revista Nova Escola).

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