Promover a aprendizagem significativa é um dos principais objetivos do professor ao preparar a sua aula. Vimos nestas leituras que a aprendizagem além de ser um ato social deve ter caráter atual e concreto. Para isso é preciso que compreendamos que a “aprendizagem depende do nível de desenvolvimento do sujeito”, conforme diz Piaget. E este é um ponto a ser considerado quando se fala em motivação humana.
Para Maslow há uma hierarquia das necessidades humanas que o sujeito tende a buscar, e elas precisam ser satisfeitas, para que outras possam surgir. Tão importante quanto estas necessidades é a motivação, ou seja, a satisfação inerente da ação ou a ação desenvolvida em conseqüência desta ação. As motivações podem ser: extrínseca e/ou intrínseca; a primeira “ocorre quando uma pessoa executa a tarefa de aprendizagem por razões alheias a própria tarefa” e a segunda, a motivação intrínseca, se dá quando a tarefa de aprendizagem é executada por uma vontade própria, uma disposição natural e espontânea, que impulsiona o aluno a buscar novidades e desafios.
Na situação A quando numa Olimpíada de matemática os melhores alunos disputam entre si o primeiro lugar a fim de conseguir a medalha de ouro há uma motivação extrínseca. Neste tipo de motivação o que pode ocorrer é que naquele momento de competição o sujeito se esforce para atingir a meta, mas passado aquele momento é possível que não haja mais interesse em dar continuidade àquela tarefa. É claro que o que foi apreendido é importante, ao mesmo tempo vale ressaltar que o grau de aprendizagem não ocorre em grau tão elevado quanto poderia ocorrer se este conhecimento decorresse em função do seu próprio interesse. Assim como ocorre na situação B.
A situação B se caracteriza por uma motivação criada pelo professor ao criar na turma curiosidade e expectativa sobre sua aula, aos poucos os alunos vão se interessando pela aula e começam a não faltar (motivação extrínseca). O que ocorre nesta situação é que o professor motivou seus alunos com a curiosidade, estes por sua vez deixaram de faltar as suas aulas, logo se espera que estes se interessem mais pelo conteúdo da disciplina. Mas neste tipo de situação há algumas complicações. Pois quem garante que esta expectativa criada pelas aulas do professor não será esgotada, por outro lado está na sala de aula não garante que haja aprendizagem, embora certamente aconteça o ensino. Logo, além da motivação extrínseca é preciso que aconteça também uma motivação intrínseca.
Esta relação entre motivação intrínseca e extrínseca é determinante par o caráter interativo do processo de ensino e aprendizagem, de modo que não se esgote assim que a atividade cessa. Na situação C, Carlos se satisfaz com o estudo sobre o Renascimento, as pesquisas que ele realiza representam uma satisfação pessoal, há uma identificação com o tema, é a motivação intrínseca. Quando o mesmo é reconhecido com o Prêmio Jovens Pesquisadores há uma motivação extrínseca. A motivação externa que surgiu interage com a motivação interna de Carlos. E assim ambas as motivações permitirão que o jovem continue seus estudos e pesquisas.
Em suma, concentrar esforços nas motivações intrínseca e extrínseca colabora para o desenvolvimento da aprendizagem do sujeito, de modo que motivado ele busque novos conhecimentos e oportunidades, mostrando-se envolvido com o processo e participando continuamente das tarefas com entusiasmo e disposição para novos desafios.

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